OS “NÓS” DO DESTINO
- Caroline Mueller

- 14 de dez. de 2025
- 4 min de leitura

“Até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida e você vai chamá-lo de destino.” Carl Jung
No decorrer de nossas existências, encontramos diversos percalços que, na maioria das vezes, nos trazem muitos ensinamentos.
Tais percalços aparecem em nossa caminhada não para nos ferir ou tirar a nossa paz, mas para nos mostrar que ainda há algo a aprender. E, para isso, é necessário um olhar mais cauteloso para a situação.
Por que adoecemos? Por que nos ocorrem situações desagradáveis? Problemas financeiros, entre outros. Às vezes nos vemos em um mês conturbado, em que tudo parece conspirar contra. E, vez ou outra, surgem aqueles pensamentos:
"O mundo virou as costas para mim!”, “Eu me sinto perdido(a)!” ou “Tudo está dando errado!”.
Quando tive acesso ao grandioso conhecimento Gnóstico, aprendi uma frase simples, porém bastante reconfortante para os momentos em que estamos passando por aflições: TUDO PASSA! Curiosa, instigante e até mesmo duvidosa, eu diria que essa frase é.
Curiosa, porque nos momentos de dor e sofrimento nos parece muito suspeito realmente acreditar que tudo passa.
Instigante, porque é uma frase que, apesar de simples, é profunda. E essa profundidade nos faz refletir sobre o seu verdadeiro significado.
E, por fim, duvidosa. Afinal, é nos momentos de provação que a nossa fé é testada.
É uma frase que nos chama para esse olhar da fé.
Será que realmente acreditamos que TUDO PASSA?
Enquanto você está aqui lendo, faça o seguinte exercício de reflexão:
Traga à memória alguma situação desconfortável que lhe causou dor e sofrimento.
Pergunte a si mesmo: qual era o tamanho dessa dor naquele momento? Era terrível? Dilacerante? Parecia não ter fim?
E hoje, agora que esse acontecimento se apaziguou, qual é o tamanho da sua dor? Está mais amena? Simplesmente não dói mais?
Talvez ainda existam resquícios dessa situação em sua vida, mas se a dor já diminuiu quando comparada à época em que você vivia tudo aquilo na pele, isso é a clareza de que TUDO PASSA.
Mas, mesmo que tudo passe, que as dores e sofrimentos diminuam, por que precisamos passar por essas dores, medos e inseguranças?
Claramente, enquanto não nos tornamos conscientes de tudo o que chega até nós, quem estará no comando da mente é o inconsciente. E é aí que, muitas vezes, quando nos acontece algo ruim, uma dor, uma doença, um acidente, achamos mais fácil “culpar” o destino.
Destino vem do latim destinare ou designare. E, quando olhamos para essa etimologia, compreendemos com mais facilidade que, se tal situação nos foi “destinada”, é porque o caminho que construímos internamente confluiu para que encontrássemos aquilo que nos foi destinado.

Nada é por acaso, e Deus não joga dados. Ele não escolhe quem vai passar por sofrimentos e quem vai viver uma vida de triunfos. Se fosse realmente assim, onde estariam as Leis Divinas? Onde estaria a Justiça?
Sempre que falamos algo para alguém ou “simplesmente” pensamos, estamos criando situações que, cedo ou tarde, irão se concretizar até que tomemos consciência e o inconsciente deixe de estar na direção do nosso destino. Tudo aquilo que vem até nós e nos gera desconforto é porque faz parte de nós. É um acerto de contas.
Repare que a palavra “nós” está ligada a um entrelaçamento. Afinal, quando analisamos um nó, ele é a junção de dois lados que se emaranham e, ao se apertarem, formam um nó.
Logo, somos nós que temos o poder de desfazer todos os “nós” que, outrora, fomos amarrando de existência em existência, ou simplesmente ignorar tudo isso e continuar nesse aperto, nesse emaranhamento, vivendo uma vida carregada de “nós”.

Observe um nó. É algo realmente curioso e instigante. Se você analisar o formato pelo qual os dois lados se emaranharam e formaram o nó, logo perceberá que, para que ele seja desfeito, precisará passar por todo o caminho que fez ao se formar, porém, de maneira contrária. E então, o nó se solta, se liberta.
Tá, mas o que isso tem a ver com todo o contexto trazido aqui?
Bom, quando nos propomos a nos auto-observar e a nos autoconhecer, compreendemos e temos clareza de que já vivemos muitas existências e já criamos muitos “nós” lá atrás. E continuaremos criando enquanto não nos tornarmos conscientes.
A jornada do autoconhecimento é realmente algo transformador (transforma a dor).
E, durante esse processo, vamos revisitando situações do passado, situações nas quais nos emaranhamos, onde criamos os “nós” e fomos nos esquecendo de quem realmente somos.
Para voltarmos a viver uma vida mais consciente, sem depender de que o destino dite o que iremos fazer ou o que irá nos acontecer, basta revisitar esses “nós” e compreender tudo o que eles querem nos ensinar.
Depois que revisitamos os “nós”, eles se desfazem e é como se pudéssemos caminhar por um percurso mais livre, sem apertos, sem tropeços. Um caminho reto e consciente.
Um exercício simples que você já pode iniciar assim que finalizar esta leitura é observar uma situação em sua vida que lhe gera desconforto. Reflita sobre ela e tire alguns minutos para meditar a respeito desse assunto. Pergunte-se:
Por que isso me gera desconforto? Por que vivo repetindo isso em minha vida?
Se está se repetindo, já é um grande sinal para que você busque compreender onde está a lição dessa situação. Ao compreender, você traz consciência para esse pensamento que estava em sofrimento e, pouco a pouco, vai desfazendo o nó.
Agora, ao ler sobre tudo isso, devemos nos perguntar: até quando vamos viver emaranhados em tantos “nós” que nós mesmos criamos? Enquanto não olharmos para toda essa questão, ficaremos presos a um mero destino.
O caminho libertador é o autoconhecimento e, com ele, podemos nos tornar mais conscientes e despertos para seguirmos firmes no caminho que nos leva até o Ser.
Caroline Mueller


Excelente artigo! Nos faz refletir realmente sobre todos os "nós" que criamos ao longo de tantas existências. Note que para um nó se formar é necessário que hajam duas pontas (dualidade). O ponto-chave é que os nós, apesar das duas pontas que se entrelaçam, na maioria das vezes são formados a partir da mesma corda, ou seja, é sempre sobre "nós".