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DO QUE VOCÊ ANDA FUGINDO?

há 20 horas
6 min de leitura

Vivemos numa eterna fuga de nós mesmos, e ao mesmo tempo buscando entender quem somos.


Cena cinematográfica com duas perspectivas: um grupo corre diante de uma explosão no espaço e outro homem em silhueta caminha rumo a um portal oval que emite luz dourada no fim do mundo, com pássaros e paisagem ao entardecer.

Essa frase soa um pouco estranha, mas ao analisarmos ela, certamente iremos compreender que fugimos de tudo aquilo que outrora nós mesmos construímos, seja através de atos, palavras ou pensamentos.


Percebo que ao adentrar na Divina Senda do Caminho Gnóstico, muitas curiosidades são despertadas em nós. E em algum momento, como buscadores do autoconhecimento, podemos nos perguntar: Quem realmente sou? O que vim fazer neste planeta? São perguntas que aparecem em algum momento quando nos instigamos a olhar pra dentro. Porém, não conseguiremos encontrar respostas pra essas inquietudes, enquanto permanecermos num estado sombrio de fuga.


E aqui, acho válido trazer um destaque na percepção de que:


As fugas se encontram nas mais diversas atitudes do nosso cotidiano e nos mais simples detalhes.

Como posso observá-las?

Vamos fazer juntos uma breve análise.


Quando me alimento em excesso e percebo que isso ocorre para aliviar algum sentimento de ansiedade ou aflição, posso entender que está se manifestando um pensamento de fuga, pois nem sequer me dei conta de parar e observar internamente essa sensação.


Se durmo em excesso, isso pode representar, simbolicamente, que algo dentro de mim resiste a despertar para o que é real.


Quando sinto desconforto em me colocar diante de situações que podem me auxiliar na jornada do autoconhecimento, certamente há um pensamento querendo fugir de algo que, em algum momento, terei que resolver.


Se busco prazeres dos mais diversos fora de mim, como compras em excesso, festas, bebidas etc., e fico orbitando em torno desse prazer inferior e momentâneo, que não me leva a nada nem a lugar algum, há aí um baita defeito que insiste em fugir.


Este artigo que você lê nasceu após uma profunda meditação sobre momentos que eu estava enfrentando e, ao mesmo tempo, dos quais estava fugindo.


Durante um período de silêncio e conexão, supliquei ao meu Pai, que mora em meu Íntimo, e à minha Mãe Divina que me mostrassem um sinal daquilo que eu precisava mudar. Sabia que não estava indo bem nesse processo de auto-observação e eliminação dos pensamentos e percebia que precisava olhar com mais atenção para isso. Mais do que isso: mesmo sabendo que precisava mudar, estava fugindo do processo de olhar para tudo aquilo que necessitava ser compreendido e resolvido.


Após muitas reflexões e ainda durante a prática da meditação, pude trazer à superfície da compreensão alguns ensinamentos que vieram até mim. Ao abrir os olhos, vi, no relógio à minha frente, os números 9 e 13.


Para quem está no processo da auto-observação, é possível perceber com clareza que aquela mensagem veio como uma flecha certeira, respondendo exatamente ao que eu havia pedido durante a meditação.


Seguir pelo Caminho Reto nos coloca diante de um trabalho magnífico e edificante, proporcionando-nos a oportunidade de enxergar as diversas sombras que devemos acolher com o amor da Divina Mãe.


Se realizamos um trabalho psicológico em nosso dia a dia, é impossível obter êxito e galgar mais um degrau na escada da Revolução da Consciência se dermos espaço para fugir daquilo que precisamos resolver.


Sem acolher nossas sombras e trazê-las à luz da compreensão, não há avanços. E aqui está um ponto ao qual quero dar destaque e que, nessa jornada, representa um grande desafio: AS FUGAS.


Analisando brevemente a palavra fuga, me deparo com um de seus sinônimos: afastar. Com isso, relaciono que tudo aquilo que busco como forma de fugir dos meus pensamentos cotidianos acaba me afastando da Divindade.


Já um dos antônimos da palavra fuga é o confronto. Afinal, quando me deparo com as mais diversas sombras, preciso olhá-las de frente e confrontar esse lado mais obscuro que ainda carrego como um fardo e do qual, muitas vezes, escolho me desviar, afastar ou fugir do Reto Caminho.


Mas como faço para olhar, confrontar e acolher minha própria sombra?

Preciso olhar para ela de frente, com a luz da compreensão. Ainda que o que trago aqui esteja em sentido figurado, o ato de “olhar a sombra de frente” significa compreender que tudo aquilo que chega até mim pode ser um reflexo do que, em outro momento, fiz, pensei ou verbalizei, ecoando e ressoando em minha mente e resultando em pensamentos de ansiedade, medo, fuga, angústia e tantos outros.


Cena surreal com silhuetas masculinas caminhando por um corredor escuro, olhando para pessoas refletidas em grandes janelas ao fundo, criando sensação de isolamento e duplicidade.

Quando esses desafios diários chegam, temos uma belíssima oportunidade de olhar para dentro de nós mesmos e parar de nos afastar cada vez mais do nosso Pai.


Voltando à meditação e aos números que vi ao finalizar essa prática, embora a mensagem dos números 9 e 13 já estivesse clara internamente para mim, busquei pesquisar, nas cartas do Tarot Egípcio, os detalhes de seus significados. Compartilho-os aqui para trazer ainda mais clareza à compreensão dessa mensagem:

Carta de tarô “O Eremita” com ilustração de um eremita vestido com manto azul e preto segurando uma lanterna diante de um fundo vermelho e marrom, com uma estrela e espigas ao lado.

ARCANO IX (9) – Amor divino. Prudência. O ermitão. A iniciação. Jesod: o Sol de Leão. A 9ª carta do Tarô. O Ermitão. O Absoluto.


O arcano nº. 9 é o Ermitão, prudente e sábio; é a solidão. Na nona esfera há grandes sofrimentos.


Na nona esfera existe suprema dor, tal como é afirmado por Dante, na Divina Comédia.


Temos de aprender a entender; temos de aprender a sofrer, a ser resignados. Aqueles que não o são, fracassam.

Ilustração em estilo cartoon de uma planta brotando de um vaso, com uma pessoa ajoelhada ao lado e folhas verdes no cenário, e um texto na parte inferior com “A Imortalidade 13”.

ARCANO XIII (13) – A morte e ressurreição. As transformações. A Morte. 4ª Hora de Apolônio: O neófito vagará à noite entre os sepulcros, experimentará o horror das visões, se entregará à magia e à Goécia.


O arcano nº. 13 é a Morte, mas também pode significar algo novo; pode haver riqueza ou pode haver miséria; é pois um número de grandes sínteses.


O arcano nº. 13 contém o evangelho de Judas. Judas representa a morte do Eu. O evangelho de Judas é o evangelho da morte, da dissolução do Ego. Judas simboliza o ego, aquilo que se tem de decapitar.


Depois de analisar cada qual, me instigou realizar então a soma Cabalística das duas cartas 9+13, na qual obtemos o 22. E então pude estudar essa carta também.


“Quando fazemos um pedido, muitas vezes os anjos dão-nos a resposta mostrando-nos o relógio. O discípulo deve fixar-se na hora indicada pelo relógio. Esse é o relógio do destino; na hora está a resposta. Na alegoria esotérica sempre nos é respondido com um relógio. Temos de aprender a entender esse relógio.” (Trecho tirado do Site Gnosis Brasil - Arcanos Maiores).
Carta de tarot com a ilustração de uma figura feminina em destaque tocando uma harpa, ao fundo um céu laranja e detalhes em símbolos e números, incluindo a frase “O Regresso”.

ARCANO XXII (22) – O triunfo. A coroa da vida. 13ª Hora: existe uma HORA TREZE, que é a da LIBERAÇÃO. O que passa pelas Treze Portas da Misericórdia se converte em um DEUS inefável de resplandecente beleza. O Zodíaco está constituído pelas Doze Portas de Misericórdia. A Porta Treze é a da LIBERAÇÃO. Há que morrer para viver. Há que morrer e ressuscitar.


O arcano nº. 22 é a Coroa da Vida, o regresso à luz, a encarnação da Verdade dentro de nós. A síntese cabalística do arcano nº. 22 é: 2+2=4; homem-mulher-fogo-água; o Iod-He-Vau-He: homem-mulher-falo-útero. Eis aqui o santo e misterioso Tetragrammaton, o Santo Quatro.


(Imagens das cartas e referências das descrições: Instituto Gnosis Brasil — Tarô e Cabala – Arcanos Maiores. Disponível em: https://gnosisbrasil.com/taro-e-cabala-arcanos-maiores/)


As informações contidas nas cartas do Tarot Egípcio são muitas. Mas de nada adianta nos enchermos de informações sem extrair de tudo isso um aprendizado essencial: aquilo que realmente pode promover um movimento de mudança interior.


Por isso, achei válido trazer aqui uma síntese desse aprendizado. Todo buscador da Verdade encontra dentro de si as respostas. Seja através da disciplina, do estudo esotérico aliado ao trabalho psicológico ou da recordação de si mesmo, vamos despertando e recebendo Luz e Sabedoria para lidar com nossas próprias sombras.


Sem luz, não existe sombra projetada. Sem luz, não encontramos a força necessária para atravessar conscientemente os sofrimentos. Sem luz, não há compreensão.


A 9ª Esfera está ligada ao trabalho com a energia criadora e à transmutação das energias sexuais.


Já o Arcano 13 nos ensina que nada novo pode nascer em nós sem que algo antigo morra.


Interessante também observar que, na carta do Arcano 13, vemos uma foice. Com ela, podemos ver simbolicamente a representação do enfrentamento e o confronto com nossas sombras e com nossos defeitos psicológicos, eliminando aquilo que não serve mais ao nosso Trabalho Interno.


E, por fim, o Arcano 22 traz um conhecimento profundo chamado “A Coroa da Vida”.


Se permanecemos fiéis ao nosso Trabalho Interno, vencendo provas e sofrimentos, certamente a recompensa Divina virá na forma de Consciência.


Ecoando aqui pra fechar este artigo, o poderoso chamado bíblico:


"Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida" (Apocalipse 2:10)

Só receberemos a Coroa da Vida, que podemos compreender aqui como a Consciência Desperta, através da vitória sobre os defeitos psicológicos, quando, frente às adversidades, tentações e fugas, soubermos caminhar com perseverança e sutileza.


Saber Sofrer, saber Calar, saber Abster e saber Morrer (Morte Mística): este é o aprendizado que, como uma luz esquecida em um canto escuro, nos levanta, acende nosso coração com a Luz da Sabedoria e nos fortalece para permanecer no Reto Caminho.


É necessário coragem, vontade e fé para permanecer, observar e confrontar aquilo que dói, aquilo que incomoda e as sombras que tantas vezes insistimos em não querer ver.


Olhar para dentro de nós mesmos com sinceridade nos abre a possibilidade da compreensão, da transformação e de uma verdadeira mudança interior.


Embora o Caminho Interno nos coloque diante de sofrimentos, é por meio da disciplina e da renúncia diária que aprendemos a enfrentar conscientemente aquilo que precisa morrer em nós.


Que possamos, portanto, estar atentos às nossas fugas, pois somente ao olhar de frente para aquilo que precisamos transformar poderemos, pouco a pouco, nos aproximar da Luz e da Consciência.


Caroline Mueller


 
 
 

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