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OS FINS JUSTIFICAM OS MEIOS?


Retrato de William Shakespeare, o famoso dramaturgo e poeta inglês do século XVI, segurando um crânio em uma imagem representativa da reflexão sobre a vida e a morte.

Estudando dias atrás com um grande amigo e irmão de caminhada sobre o ditado acima, veio-me uma profunda reflexão acerca do tema.


Vivemos inconscientes, em um estado de hipnose coletiva. Enquanto não despertamos a Consciência e não acordamos para o Real, são os pensamentos condicionados que ditam as regras, buscando desesperadamente estratégias de sobrevivência, para que o ego não morra e continue existindo no ciclo repetitivo da vida.


Sendo assim, não há meio algum que justifique as infrações de nossos pensamentos, pois o fim real só ocorre com a morte total de todos os nossos agregados psicológicos (pensamentos).


Esta frase soa como uma grande armadilha do ego, pois ele vive infringindo as leis, jamais caminha em retidão, habita nas sombras e foge constantemente da Consciência. Quando a Verdade se revela, toda falsidade se dissolve, porque o ego é inteiramente ilusório e nada carrega de verdadeiro em si. Aquilo que é Real não morre, não é perecível ao tempo, nem pode ser destruído.


O ditado “os fins justificam os meios” atravessa gerações como uma permissão silenciosa para a mente adormecida: se é conveniente, qualquer caminho serve.


Entretanto, sob a luz do Conhecimento verdadeiro (Gnose), esta máxima revela-se como uma das mais sutis artimanhas do ego para encontrar meios de sobreviver.


O caminho iniciático jamais pode ser construído sobre sombras, pois o meio já contém o fim, e toda ação traz em si mesma a semente do seu fruto. Para toda ação, há sempre uma reação oposta e de igual intensidade.


Esta frase (os fins justificam os meios),não possui um autor único comprovado. Geralmente é atribuída a Maquiavel, porém não há indícios verídicos de que tenha sido ele quem a escreveu literalmente em sua obra O Príncipe. O que ocorreu foi uma simplificação histórica de ideias políticas e morais, que se tornou um provérbio popular, repetido mecanicamente, como tantas outras fórmulas do mundo.


Mas o foco aqui não é esse, e sim buscar o conhecimento e o aprendizado acerca do dito popular, pois devemos perguntar:


Quem dentro de nós quer justificar os meios?

O ego, como bom estrategista da justificativa, atua como um advogado astuto, sempre buscando brechas na lei, tratando de apresentar evidências que justifiquem os erros, encontrando desculpas e lavando as mãos.


Geralmente nas horas das justificativas diárias e pressionado pela correria da vida cotidiana, ouvimos nossos pensamentos dizendo:


  • “Vai ser só dessa vez…”

  • “É por uma causa maior…”

  • “Depois eu compenso…”

  • “O importante é chegar lá…”


Tudo isso é história para continuarmos no inconsciente, longe da Sabedoria Divina, reforçando as grades da prisão e mantendo a mecânica da roda do Samsara:


ação → reação → repetição → aprisionamento.


O ego não busca a libertação, mas sim a continuidade de sua subsistência e a satisfação dos prazeres.


O Mestre Samael Aun Weor nos ensina:


“O ‘eu’ é tempo, o ‘eu’ é memória, o ‘eu’ é repetição.”

O ego repete porque não sabe criar, pois tudo nele é mecânico, condicionado e ilusório.


Portanto, meus caros amigos, busquemos sempre meios íntegros, pois somente sendo íntegros a todo instante viveremos numa síntese de começos, meios e fins, compreendendo que, em essência, são a mesma realidade, ainda que se expressem em diferentes intensidades.


Para a Consciência não existe outro momento senão o agora. Assim, não negociemos com a sombra, acreditando que atos ilícitos ou duvidosos possam gerar frutos verdadeiros.


O caminho iniciático exige:


  • morte do ego

  • nascimento espiritual

  • sacrifício real pela humanidade


Sem a realização destes três pilares da Revolução da Consciência, nossa permanência nesta escola chamada Terra carece de propósito real.


Não existe iluminação através da mentira ou de atos duvidosos.


Estamos presos a leis até que tomemos consciência e acertemos todas as contas. Enquanto os meios não são íntegros, os fins serão catastróficos e o humano permanecerá preso à lei mecânica das ações e reações, acreditando em fins externos: sucessos vazios, reconhecimentos ilusórios e poderes que a própria terra há de comer.


Sempre numa corrida ávida aos prazeres da carne, desprezando o Real Ser — único motivo de aqui estarmos.


Para o Real, não existe início, meio ou fim, pois o Ser é eterno: sempre, esteve antes, permanece durante e continuará depois. Já para o ego, o único fim verdadeiro é a sua morte.


O Mestre afirma:


“O trabalho sobre si mesmo consiste em morrer de instante em instante.”

“A morte psicológica é a base fundamental de toda transformação verdadeira.”

Assim sendo, o fim não justifica os meios, e os meios revelam quem está agindo.


O ego sempre repete, vive no limiar das ações e reações, fadado ao fracasso. Já a Consciência é a chave da libertação.


No final, tudo acaba onde começou: no Real Ser.


O único meio legítimo é a integridade, pois não se pode chegar ao Real através do irreal.


Não deixeis o ego no comando, pois ele crê que os fins justificam os meios, porque deseja chegar sem morrer. Porém, sem morrer ninguém chega a lugar algum.


Se a semente não morre, não nasce.


Por isso, é urgente conectar-se com a Consciência. Ela sabe que o meio para a Vida eterna é a morte em si — mas falamos aqui da morte do ego, é claro.


A morte física nada mais é que a troca de personalidade e corpo, porém os pensamentos continuam mesmo após a morte física, até a chegada da segunda morte ou a iluminação total dos mesmos através dos três fatores da Revolução da Consciência.


Portanto, é somente quando os meios são puros e verdadeiros que o fim deixa de ser ilusão e se torna libertação.


Não se trata de justificar os meios, mas de purificá-los, para que o fim seja a Verdade, deixando de existirmos para simplesmente SER.


Imagem de um asteroide gigante flutuando no espaço, com superfície rochosa e detalhes de crateras, destacando-se no universo silencioso e misterioso.

Sidnei Sérgio Maciel








 
 
 

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