O LIVRO TIBETANO DOS MORTOS
- Hélio Mateus Freire Nunes

- há 2 dias
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Caro estudante de Gnose Contemporânea, no nosso encerramento anual de 2025, realizamos uma ritualística muito especial para os alunos que terminaram o curso no ano em questão, nesta ritualística foi apresentado o Livro Tibetano dos Mortos em formato de áudio, por se tratar de um áudio rico em detalhes e explanações, decidi trazer a versão escrita para que aquele que tenha o interesse possa mergulhar mais profundamente no estudo deste.

Primeiro Bardo: Ó amigo, o tempo caminha em direção a ti para te levar a novos planos de realidade. O teu ego e teu nome estão em jogo de acabar. Estás pondo-te em frente da luz clara. Tu estás experimentando esta realidade no estado de liberdade do ego, onde todas as coisas são como um céu vazio, sem nuvens. E o intelecto nu e limpo é como um enxerto vazio. Neste momento, conhece por ti mesmo e habita neste estado. O que é chamado morte do ego está vindo para ti. Recorda, esta é a hora da morte e renascimento. Aproveita essa morte temporal para atingir o perfeito estado. Ilumina-te. Concentrado na a unidade de todos os seres vivos mantido sobre a luz clara. Usa-o para alcançar o entendimento e o amor. Se tu não podes manter a felicidade de iluminação e se tu estás deslizando dentro do contato do mundo exterior, recorda as alucinações que podes experimentar agora, as visões, introspecções, te ensinarão muito sobre ti mesmo e o mundo.
O véu da rotineira percepção será mudado em teus olhos. Recorda a unidade de todas as coisas vivas. Recorda a glória da luz clara. Deixa-te guiar através de tua nova vida que vem. Deixa te guiar através das visões desta experiência. Se te sentes confuso, invoca a memória de teus amigos e de teus mestres. Trata de alcançar e conservar a experiência da luz clara. Recorda, a luz é a energia vital, as chamas sem fim da vida. Um ondulante e sempre mudável torvelinho de cor pode apoderar-se de tua visão. Esta é a incessante transformação da energia, o processo vital. Não temas. Entrega-te a ele. Une-te. forma parte de ti. Tu és parte dele. Recorda também, mas além da contínua e fluente eletricidade da vida, está a última realidade. O vazio. Teu próprio saber formado na não possessão de forma ou cor é naturalmente vazio. A realidade final, o todo bondade, o todo paz, a luz resplandecente movimento é o fogo da vida, do qual tudo vem. Une-te, forma parte de ti.
Mas além da luz da vida está o pacífico silêncio do vazio. Aquieta a felicidade, mais além de todas as transformações. O sorriso de Buda. O vazio, não é o nada desobstruído, brilhando, como vendo. Feliz. O vazio é o princípio e o fim ele mesmo. Consciência de diamante. O todo bondade Buda. Tua própria consciência brilhando vazia e inseparável. Não pensamento, não visão, não cor é vazio. O intelecto brilhando é cheio de felicidade e silencioso. Este é o estado de perfeita iluminação. Tua própria consciência brilhando, vazia, inseparável do grande corpo resplandecente, não tem nascimento nem morte. É a imutável luz que os tibetanos chamam Buda Mitaba. O saber da não forma. Começando conhecer. Isto é suficiente. Reconhecer o vazio de tua própria consciência para ser domínio de Buda. Permanece neste reconhecimento. e tu manterás o estado da divina mente de Buda.
Segundo Bardo: Recorda, agora vais experimentar três bardos, três estados de perda do Eu, primeiro aparece a clara luz da realidade. Vem em fogo os jogos de alucinações fantasticamente variados. Mais adiante encontrarás o estado de reentrada de voltar a ter um eu, ó amigo, pode ser que tua experiência seja de transcendência do eu, a saída de teu antigo eu, mas tu não és o único. A todos chega alguma vez. És afortunado ao ter gratuitamente esta experiência de renascimento que se te oferece. Não te apegues com essa debilidade a teu velho eu, inclusive. Se te apegas à tua mente, já perdeste o poder de a manter. Pela luta, não poderás conseguir nada neste mundo alucinatório. Não te apegues. Não sejas débio. Qualquer que seja o medo ou terror, que te embargue. Não olvides estas palavras. Introduz o seu significado no teu coração. Segue em frente aqui mesmo. Está o segredo vital do conhecimento. Recorda, ó amigo, quando o corpo e a mente se separam, experimentas uma rápida visão da verdade, pura, sutil, radiante, brilhante, vibrante, gloriosa. Não temas. Esta é a radiação de tua verdadeira natureza. Reconhece-a da névoa.
Desta radiação vem o som natural da realidade. reverberando como mil tronos em simultâneo. Este é o som natural do processo de tua vida. Portanto, não te assustes, não te aterrorizes, não tenhas medo. Para ti é suficiente saber que estas aparições são as formas de teu próprio pensamento. Se não reconheces tuas próprias formas de pensamento, se ouvidas tua preparação. As luzes te deslumbrarão, os sons te atemorizarão, os raios te aterrorizarão, as pessoas ao teu redor te confundirão. Recorda, a chave dos ensinamentos, ó amigo, estes reinos não vem de algum lugar exterior a teu ego. Vem de teu interior e brilham sobre ti. Tampouco as revelações vem de nenhum outro lugar. Existem desde a eternidade dentro das faculdades de teu próprio intelecto. Reconhece que são desta natureza. A chave de iluminação e da serenidade durante o período de 10.000 visões é simplesmente esse descanso, relaxamento. Une-te a ele. Aceita encarecidamente as maravilhas de tua criatividade.
Não te apegues, nem estejas assustado, nem atraído, nem repelido. Sobretudo, não faças nada sobre as visões. Existe somente dentro de ti a fonte. Olhos fechados, estímulos externos ignorados. Ó bem-nascido, escuta com cuidado a energia radiante da origem, semente da qual vem todas as formas viventes, brota em direção a fora e golpeia contra ti com uma luz tão brilhante que tu apenas poderás mirar. Não te assustes. Esta é a energia da origem que esteve radiando bilhões de anos, sempre manifestando-se de outras formas. Aceita. Não tentes intelectualizá-la. Não brinques com ela. Funde-te com ela. Deixa fluir através de ti. Perde-te com ela. Funde-te no luz, de arco-íris, no coração da lança da energia. Obtém o domínio de Buda no reino central.
Sintomas físicos: Ó amigo, escuta com atenção. Os sintomas corporais que tu estás sentindo não são de efeito químico. Eles indicam que tu estás lutando contra o conhecimento. de sentimentos que ultrapassam a tua experiência normal. Tu não podes controlar estas ondas universais de energia. Deixa que os sentimentos se fundam todos sobre ti. Faz-te parte deles. Permite-te a ti mesmo palpitar com as vibrações ao teu redor. Relaxa. Não lutes. Teus sintomas desaparecerão tão rapidamente como todo Rastro de ego concentrado, esforçando-se, desapareça. Aceita-os como a mensagem do corpo. Dá-lhes as boas-vindas. Goza deles.
O fluir interno de processos arquetípicos Olhos fechados, estímulos externos ignorados, aspectos intelectuais: O bem nascido, escuta com atenção. O fluir da vida está girando através de ti. Uma demonstração infinita de formas e sons puros. Deslumbrantemente brilhante, sempre volúvel. Não tentes controlá-la. Flui com ela. Experimenta os antigos mitos cósmicos da criação e manifestação. Não tentes compreender. Há muitíssimo mais tempo para isto, mais tarde. Funde-te com ela. deixa fluir através de ti. Não há necessidade de atuar ou pensar. Se te estão ensinando as grandes lições de evolução, criação e reprodução. Se tu tentas retê-lo, podes cair em mundos infernais e sofrer intolerável miséria criada por tua própria mente. Evita brincar as interpretações. Evita pensar, falar ou fazer. Tem fé na corrente da vida. Confia em teus companheiros nesta aquosa jornada. Funde-te na luz de arco-íris, no coração do rio das formas criadas. Obtém o domínio de Buda no reino proeminentemente feliz.
A corrente de fogo da unidade interna Olhos fechados. Estímulos externos ignorados. Aspectos emocionais: O bem nascido. Escuta com atenção. Estás fluindo para fora e para dentro da fluida unidade da vida. O êxtase do fogo orgânico te aquece todas as células. As duras, secas, frágeis cascas de teu ego estão lavando-se no infinito mar de criações. Flui com ela. Sente a pulsação do coração do sol. Deixa que o vermelho Buda, Amitaba, te envolva. Não temas o êxtase. Não resistas a corrente. Recorda, todo exultante poder vem de dentro. Confia na força marinha, arrastando-te dentro da unidade com todas as formas vivas. Deixa que teu coração instale no amor por toda a vida. Deixa que teu sangue quente jorre para fora dentro do oceano de toda a vida. Não esteja atado ao poder estático. Ele vem de ti. Deixa-o fluir. Não tentes apressar teus velhos temores corporais. Deixa que teu corpo se funda com o fluxo quente. Deixa que tuas raízes se submerjam dentro do corpo da vida quente. Flutua no mar do arco-íris. Consegue o domínio de Buda no reino chamado amor.
A estrutura da onda. Vibração das formas externas Olhos abertos, grande interesse no estímulo externo visual, intelectuais: O bem-nascido, escuta com atenção. Neste ponto podes dar conta da estrutura em formas de ondas do mundo que te rodeia. Tudo o que tu vês se dissolve em vibrações de energia. Mira fixamente e darás conta. do baile elétrico da energia. Já não há coisas nem pessoas, senão só um movimento direto de partículas. Tua consciência agora deixará teu corpo e se introduzirá no rio de ondas rítmicas. Não há necessidade de falar nem de ação. Deixa que teu cérebro se converta em um receptor das radiações. Todas as interpretações são produto da tua mente. Tiras de cima. Não tenhas medo. Maravilha-te na força natural de teu próprio cérebro. A sabedoria de tua própria eletricidade. Está quieto e espera. À medida que o mundo tridimensional se desfaz, podes sentir pânico. Te podes sentir apegado, ao pesado e aborrecido mundo dos objetos que agora estás deixando. Neste momento, não te assustes com a transparente, radiante, cegante onda de energia. Deixa que tua intelectualidade descanse. Não tenhas medo dos raios pegajosos, da luz da vida, a estrutura básica da matéria, a forma básica da comunicação em ondas. Atende quietamente e recebe a mensagem.
Agora terás a experiência direta da revelação das forma primárias, as ondas vibratórias da unidade externa, olhos abertos, grande interesse pelo estímulo exterior, tal como as luzes, os movimentos, aspectos emocionais. Ó bem-nascido, escuta atentamente. Estás experimentando a unidade de todas as formas vivas. Se as pessoas te parecem feita de goma e sem vida, como bonecos de plástico, não te assustes. Isto só é um esforço de teu ego para manter sua identidade separada. Permite-te sentir a unidade de tudo. Mescla-te com o mundo ao teu redor. Não tenhas medo. Desfruta do baile dos bonecos. Os cria, tua própria mente. Relaxa e sente o êxtase das vibrações de energia atravessando-te. Desfruta a completa a unidade da matéria e a vida. A luminosidade radiante é um reflexo de tua própria consciência, é um aspecto de tua natureza divina. Não te sintas aderido a teu antigo ser humano. Não estejas alarmado pelos novos e estranhos sentimentos que estás tendo. Se agora te sentes atraído por teu ser antigo, voltarás para outra etapa do jogo existencial. Tem confiança e mantém-te sem temor. Te mesclarás no coração do sagrado Ratinazambava em um alo de luz arco-íris e conseguirás liberação no domínio dotado de glória.
O circo da retina: Ó bem-nascido, escuta atentamente. Estás agora percebendo o bale mágico das formas. Rascunhos estáticos e caleidoscópicos aparecem ao teu redor. Todas as formas possíveis aparecem vivas diante de teus olhos. O circo da retina, o incessante jogo dos elementos terra, água, ar, fogo, em forma e manifestações que sempre mudam, deslumbrando-te com sua complexidade e variedade. Relaxa e desfruta o rio de movimento. Não te apegues a nenhuma visão, nem revelação. Deixa que tudo passe através de ti. Se a ti vem experiências molestas, deixa que passem como o demais. Não lutes contra elas. Tudo vem de dentro de ti. Isto é a grande lição em criatividade e poder do cérebro. Liberado de suas estruturas aprendidas. Deixa que a cascata de imagens e associações te leve onde quiser. Medita calmamente sobre o conhecimento de que estas visões são emanações de tua própria consciência. Dessa maneira, podes obter conhecimento próprio e libertar-te.
O teatro mágico: Ó bem-nascido, escuta atentamente. Estás agora no Teatro Mágico dos Heróis e dos demônios. Figuras mitológicas e superhumanas. Demônios, deusas, guerreiros celestiais, gigantes, anjos, bodisatvas, anões, cruzados, duendes, demônios, santos, bruxos, extraterrestres, espíritos infernais, duendes, cavaleiros e imperadores. O deus Lot da dança, o grande homem velho, a divina criatura. o trampista, o metamorfo, o domador de feras, a mãe das deusas, a bruxa, o deus da lua, o errante. A totalidade do divino teatro de figuras, representando o cume da sabedoria humana. Não tenhas medo deles, estão dentro de ti. Tua própria inteligência criativa é o mago reinante sobre eles. Reconhece as figuras como aspectos de ti mesmo. Toda a fantástica comédia se encontra em ti. Não te sintas aderido às figuras. Lembra-te dos ensinamentos. Ainda podes conseguir a liberação.
Visões coléricas: Ó nobremente nascido, escuta cuidadosamente. Tu és incapaz de manter a perfeita luz clara ou o primeiro bardo. Reconhece-as. Eles são teus próprios reflexos feitos visíveis e audíveis. Elas são produto de tua própria mente retrocedida para o muro. Elas indicam que tu estás fechado a liberação. Não as temas. Nenhum dano pode vir destas alucinações. Elas são teus próprios pensamentos com aspecto atemorizante. São velhos amigos. Dá-lhes as boas-vindas. Funde-te com elas, volta a elas. Perde-te tu mesmo nelas. Elas são tuas. Qualquer coisa, por muito aterradora e estranha que tu vejas, recorda acima de tudo que vem de dentro de ti. Mantém-te sobre este conhecimento. Tão rapidamente como reconheças isso, obterás liberação. Se não o reconheces, torturas e castigo se seguirão. Mas isto são também radiações de teu próprio intelecto, são imateriais. O vazio não pode danificar o vazio. Nenhuma das pacíficas ou coléricas visões. Demônios, bebedores de sangue, máquinas, monstros ou diabos existem na realidade só dentro de teu crânio. Isto dissipará teu medo.
Terceiro Bardo, Instruções preliminares: Ó, escuta bem, tu estás agora ingressando no terceiro bardo. Antes, enquanto experimentavas as pacíficas e coléricas visões do segundo bardo, tu não podias reconhecê-lo. Através do medo, ficavas inconsciente. Agora, enquanto recuperas, tua consciência se levanta. Como uma truta brincando para adiante, fora da água, lutando por sua forma original. Teu ego anterior começou a operar outra vez. Não te esforces por decifrar coisas. Se por fraqueza estás atraído, atuar e pensar. Tu queres vagar no meio do mundo do fogo da existência e padecer dor. Relaxa teu e tranquilo espírito. Ó, tu foste incapaz de reconhecer as formas arquetípicas do segundo bardo. Tu baixaste até agora. Agora, se tu desejas ver a verdade e o a mente, deve descansar sem distração. Não há nada que fazer, nada em que pensar. Flutua em direção ao não obscuro, primordial, brilhante estado vazio de teu intelecto. Neste caminho, tu obterás liberação. Se és incapaz de relaxar tua mente, medita em teus amigos, pensa neles com profundo amor e confiança, como sob escurecendo a coroa de tua cabeça. Isto é de grande importância. Não te distraias.
Ó, tu podes sentir o poder de realizar proezas, de perceber e comunicar com poder extra-sensorial, de mudar forma, tamanho e número, de atravessar espaço e tempo instantaneamente. Estas sensações chegam a ti naturalmente, sem nenhum método por tua parte. Não as desejas, não trates de exercitá-las. Reconhece-as como sinal de que estás no terceiro bardo. No período de entrada no mundo normal. Ó, se não entendeste o mencionado neste momento como resultado de teu próprio jogo mental. Espantosas visões podem vir rajadas de vento e rajadas geladas, zumbidos e chasquidos da maquinaria de controle. Simulando risos. Tu podes imaginar terror produzindo observações. culpável, estúpido, inadequado, sujo. Tais troços imaginados e pesadelos paranoicos são os restos do egoísta. Ego dominando, jogo, jogando. Não, as temas são teus próprios produtos mentais. Recorda que estás no terceiro bardo. Tu estás lutando por entrar na densa atmosfera do jogo da existência rotineira. Deixa esta reentrada ser suave e lenta. Não trates de usar força ou poder de vontade.
Ó, como tu és conduzido aqui e além pelos sempre moventes ventos do karma. Tua mente, não tendo lugar para descansar ou focar-se, és como uma pluma lançada pelo vento, ou como um ginete no cavalo ou alento. Incessantemente ou involuntariamente, tu errarás, chamado no desespero por teu velho ego. Tua mente corre até que estejas exausto e miserável. Não te detenhas nestes pensamentos. Conhece o descanso no estado inalterado. Medita na unidade de toda a energia. Assim, tu serás livre de dor, terror e confusão. Ó, tu podes sentir-te confuso e desorientado. Tu podes estar assombrado de tua conduta. Tu podes mirar teus companheiros viajantes e amigos e dar conta de que não podem entender-te. Tu podes pensar: "Eu estou morto, que farei?" E sentir grande miséria. Só como um peixe é arrojado fora da água sobre brasas ao vermelho intenso. Tu podes assombrar-te de que nunca voltarás. Lugares familiares, parentes, As pessoas que te conhecem, se te aparecem, como em um sonho, ou através de um vidro obscuro. Se tu estás vendo semelhantes experiências, pensando não será de nenhuma utilidade. Não tentes explicar. Este é o resultado natural de teu próprio programa mental. Tais sensações indicam que estás no terceiro bardo. Confia em teu guia. Confia em teus companheiros, confia no misericordioso Buda. Medita calmamente, sem distração.
Ó, tu podes agora sentir como se estivesses oprimido e estrujado, como entre rochas e penhascos, ou como dentro de uma jaula ou prisão. Recorda, estes são sinais de que tu estás tentando forçar um retorno a teu ego pode ser uma opaca luz cinzenta. Estes são sinais do terceiro bardo. Não lutes por retornar. A reentrada sucederá por si mesma. Reconhece onde estás.
O reconhecimento te guiaráa liberação, as visões de reentrada: Ó, tu não entendeste o que está sucedendo até agora. Estiveste buscando a tua passada personalidade. Incapaz de encontrá-la, podes começar a sentir que nunca serás o mesmo outra vez, que volverás como uma pessoa mudada. Entristecido por isto, sentirás pena de ti mesmo. Vais tratar de encontrar teu ego, alcançar o controle. Deste modo, pensando, te assombrarás aqui e ali, incessantemente e distraidamente. Diferentes imagens de teu próprio futuro serão vistas por ti. A que te obceca a verás mais claramente.
A arte especial destes ensinamentos é particularmente importante neste momento. Qualquer imagem que vejas, medita acerca dela como vindo de Buda. Este nível de existência também existe em Buda. Esta é uma arte sumamente profunda te fará livre de tua presente confusão. Medita acerca nome do ideal protetor tanto quanto possas. Visualiza-a como uma forma produzida por um mago. Então, deixa sua imagem dissolver-se, começando pelas extremidades até que nada seja visível. Põe-te em um estado de claridade e vazio. Habita neste estado por um momento. Medita agora, uma vez mais em teu ideal protetor, uma vez mais na luz clara. Faz isto alternativamente. Depois, deixa a tua própria mente dissolver-se também gradualmente. Onde quer que o ar penetre, a consciência penetra. Onde quer que a consciência penetre, o sereno êxtase penetra. Habita tranquilamente no criado estado de serenidade. Neste momento, o renascimento das paranoias será evitado. A perfeita iluminação será conseguida para toda a influência determinante do pensamento.
Ó, podes agora experimentar alegria momentânea, seguida de pena momentânea, de grande intensidade, como o tensionar e relaxar de uma catapulta. Irás através de agudas oscilações de humor. Tudo determinado pelo Carma. Não te aferres às alegrias, nem te enfades com as penas. As ações de teus amigos podem evocar enfado ou pena em ti. Se te enfadas ou te deprimes, terás uma experiência infernal. Não tem importância o que a gente faça. Nenhum pensamento nebuloso pode aparecer. Medita acerca do amor em relação a eles. Frequentemente, neste estado da sessão, só estarás um segundo longe da descoberta da mudança alegre de tua vida. Recorda que cada um de teus companheiros é Buda consigo mesmo. Tua mente agora sem ter onde focar-se ou força interrogadora, sendo luz e movendo-se continuamente. Todos os pensamentos que ocorram, positivos ou negativos, exercer grande poder. Tu estás extremamente receptivo, portanto, não penses em coisas egoístas. Recorda, tua preparação para a viagem. Mostra pura afeição e humilde fé. Através da ausência destas palavras, a recordação virá. A recordação será seguida do reconhecimento e a liberação.
Para o juízo das visões: Ó, se estás experimentando uma visão de juízo e culpa, escuta atentamente. Estás sofrendo isto porque é o resultado de teu mísero jogo mental. Teu karma, ninguém está fazendo nada. Tua mente está criando problema, portanto, flutua na meditação. Lembra-te das tuas formas, não que crês. Lembra os ensinamentos deste manual. Lembra-te da amigável presença de teus companheiros. Se não sabes como meditar, concentra-te em um objeto ou sensação. Tomá-lo, dá-te ao que se preocupa um objeto. Concentra-te na realidade desse objeto. Reconhece a ilusória natureza de existência e fenômeno. Este momento é de grande importância. Se Estás distraído. Agora te custará sair do pântano da miséria.
Até agora, as experiências do bardo vieram a ti e não as reconheceste. Estiveste distraído neste período. Experimentaste todo o medo e todo o terror. Ainda que sempre com êxito até aqui, podes reconhecer e obter liberação aqui. Tua sessão pode chegar a ser estática e reveladora. Se tu não sabes como meditar, recorda seu ideal, recorda teus companheiros, recorda este manual. Pensa em todos esses medos e terroríficas aparições, como pertencendo a teu próprio ideal, como o uno misericordioso. São provas divinas. Recorda teu guia. Repete os nomes uma e outra vez. Ainda que sempre decaiam, não serás danificado.
As visões sexuais: Neste momento, podes ver visões de casais juntos. Tu estás convencido que ao teu redor ocorre uma orgia, desejo e expectativa se apoderam de ti, que a ação sexual te espera. Quando estas visões ocorram, recorda, retenti a ti mesmo de ação ou de apego. Humildemente exercita a tua fé, flutua na corrente, confia fervorosamente no processo. Meditação e confiança na unidade da vida são as chaves. Se tratas de entrar em tua velha personalidade, porque és atraído ou rechaçado. Se queres unir-te à orgia que estás alucinando, renascerás a um nível animal. Experimentarás desejo possessivo e ciúmes. Sofrerás estupidez e miséria. Se desejas evitar essas misérias, escuta e reconhece. Rechaça os sentimentos de repulsão ou atração. Recorda que o descendente esforço contrário à iluminação, é forte em ti. Medita sobre a unidade com teus companheiros de viagem. Abandonaos ciúmes, nem atração, nem repulsão por tuas alucinações sexuais. Não vagarás na miséria, largo tempo. Repete estas palavras a ti mesmo e medita sobre isso.
Quatro métodos de prevenção da entrada
Meditação sobre o Buda. Ó, tranquilamente medita sobre tua figura protetora. Ela é como um reflexo. da lua na água é aparente, todavia não existente, como uma ilusão produzida pela magia. Se tu não tens uma figura especial, protetora, medita sobre o Buda ou sobre mim. Com isto na mente, medita tranquilamente. Então, originando a visualizadora forma de teu protetor ideal, se dissolve desde as extremidades. medita sem nenhuma ideia feita sobre a clara luz vazio. Esta é uma arte muito profunda. Por virtude disso, o renascimento é adiado. Uma maior iluminação futura é segura.
Meditação sobre bons jogos. Tu estás vagando agora pelo terceiro bardo. Como um sinal disto, mira teu espelho e tu não verás teu rosto normal. Neste momento, tu deves fazer simples resolução em tua mente. Isto é muito importante. É como dirigir a corrida de um cavalo com o uso do rinhões. Tudo o que tu desejas sucederá.
Meditação sobre a ilusão. Se ainda estás baixando, te liberarás. Medita como se segue. As atividades sexuais, manipulação da maquinaria, assimulação do riso, sons esporádicos e aparições terroríficas. Em verdade, estes fenômenos são, em natureza ilusões. Sem embargo, eles podem aparecer de verdade. São irreais e falsos. São como sonhos e aparições, não permanentes, não fixas. Que vantagem há em apegar-se ou ter medo delas?. Tudo são alucinações de tua mente. Tua própria mente não existe, portanto, porque existem elas. Só tomando estas ilusões por algo real, tu navegarás ao redor desta confusa existência. Todas são como sonhos, como ecos, como cidades de nuvens, como reflexos. Como formas relaxadas, como fantasmagorias, a lua vista na água não são reais nenhum momento, mantendo-te firme agudamente nesta linha de pensamento. A crença de que elas são reais é dissipada e a liberação é alcançada.
Meditação sobre o vazio. Todas as substâncias são parte de minha própria consciência. Esta consciência é vazia, incriada e não cessante. Meditando assim, deixa descansar a mente no incriado estado, como o chover de água sobre água. A mente deve ser deixada em sua própria postura mental, em sua natural, imodificada, condição clara e vibrante, mantendo este relaxado em criado estado da mente, o renascimento na rotina, jogo, realidade, é seguramente evitado. Medita sobre isto até que tu sejas certamente livre para depois escolher a personalidade.
Escuta, é quase tempo de voltar. Faz a seleção de tua futura personalidade de acordo com os melhores ensinamentos. Escuta bem os sinais e características do nível de existência a vir, aparecerão ante ti em sinais premonitórios. Reconheça-os quando encontres que tu voltaste à realidade em tenta seguir as deliciosas e agradáveis visões. Evita as desagradáveis e obscuras. Se voltas em pânico, um espantoso estado seguirá. Se te esforças por escapar, as obscuras lúgubres visões, um estado infeliz seguirá. Se tu voltas em resplendor, um feliz estado seguirá. Teu estado mental agora afetará seu posterior nível de ser. O que escolhas, escolhe imparcialmente, sem atração nem repulsão. Entra no jogo da existência com boa graça, voluntariamente e livremente. Permanece tranquilo. Recorda estes ensinamentos.
Hélio Mateus Freire Nunes




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