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A Dinâmica Harmônica da Vida


Detalhe da obra
Caros leitores, este artigo surgiu através de uma experiência de meditação, a qual descreverei logo abaixo, e que utilizarei como base para as reflexões que pretendo abordar neste texto.

Me vi orbitando um certo planeta, e ao observar com grande admiração este planeta, paralelamente havia um sentimento de profunda completude, uma perfeição e harmonia que apenas podemos ter ciência quando aquietamos nossa mente e observamos o mundo através das lentes da consciência.


Tal experiência se tornou peculiar no momento em que desejei adentrar neste planeta para entender como tudo aquilo funcionava, porém quanto mais eu adentrava, mais o sentimento de completude ia se esvaindo até que me encontrei dentro do planeta e os sentimentos que prevalecia em mim, agora eram outros: desorientação, frustração, raiva, tristeza, medo, ambos relacionados ao fato de não compreender como a dinâmica daquele mundo funcionava.


Fiquei espantado pois ainda recordava aquele sentimento harmonioso que havia em mim antes de adentrar no planeta, e minha principal indagação nesse momento era o seguinte, como eu poderia entender e consequentemente compreender toda aquela dinâmica se havia perdido o meu centro de gravidade permanente na consciência (Centro de Gravidade Permanente na Consciência- Pistis Sophia 23), os sentimentos ruins me tomavam por completo.


Finalizei minha meditação e posteriormente me veio a vontade de escrever sobre isso, normalmente escrevo sobre a síntese que retiro dessas experiências, mas esta oferece um exemplo rico do que realmente ocorre tanto em nossa vida, no momento em que saímos do absoluto como também em nossa mente, quando saímos do estado de observação e decidimos adentrar em nossos pensamentos.


No momento em que saímos do absoluto e iniciamos nossa jornada, temos o mesmo anseio, de nos tornar um Deus e descobrir toda a mecânica do mundo, porém ao se desprender do Pai, Aos poucos esquecemos de tudo, iniciamos em um estado edênico, e quando saímos deste éden, começamos a plantar nossas ações no vasto campo de Samsara, e à medida que vamos colhendo as reações provenientes deste plantio o mundo se torna um lugar hostil.


O ponto central deste artigo é demonstrar a importância do nosso centro permanente e dos três fatores da revolução da consciência. Estamos totalmente dispersos em nossos pensamentos, passamos praticamente uma vida inteira adentrando nesses planetas, procurando entender e ter domínio do sistema econômico, adquirindo capital, gozando dos prazeres terrenos, inventando novos objetivos e desafios a serem compridos, mas nunca nos recordamos de onde viemos e qual o nosso objetivo aqui. Como bem publicado no artigo “O Labirinto dos Sábios” pelo Montreal, adentramos no labirinto com um objetivo e nunca mais saímos, pois a identificação é tamanha que nos esquecemos até mesmo porque estamos nele, e o “plot twist” é que todos estamos nesse labirinto.


A dinâmica da vida é muito bem definida por uma frase que normalmente é utilizado em nossos grupos de estudos: “simples porém complexo”, simples em sua essência e complexo no caminho da sua compreensão. Assim como trazido na minha experiência no início deste artigo, ao estar completo, em harmonia, observamos uma simplicidade inexplicável, a síntese é tão coesa que até as maiores reverberações da roda de Samsara são somente curtas notas músicas que compõem a sinfonia do universo.


E assim como qualquer sinfonia, a vida é um ciclo, que se expande e consequentemente se contrai, composta por diversos instrumentos musicais os quais já conhecemos porém não o dominamos, após dominado esses instrumentos, nos tornamos maestro de nossa própria vida, compondo nossa sinfonia de acordo com as leis universais da natureza, e independente dos movimentos que a nossa sinfonia venha ter, sejam eles adagio, sonata-alegre, réquiem, fuga ou tocatao maestro sabe pô-las em seus devidos lugares, criando sua obra prima, a Magnus Opus do nosso Mestre Interior.


Quando afinado e dominado nossos instrumentos, saímos do labirinto, ao invés de ficarmos em um eterno clico de repetições como um loop harmônico, ouvindo sempre a mesma batida ou harmonia com os mesmos 3 ou 4 acordes, criamos uma sinfonia com começo, meio e fim. Sendo essa sinfonia compassado pelos três fatores da revolução da consciência e a partitura já escrita e compartilhada por diversos Maestros e Avatares que vieram antes de nós, não mais deveremos ficar inertes nos loops harmônicos do mundo, devemos pegar nossa batuta e ordenar a nossa própria orquestra, sermos compositor na nossa própria sinfonia.


E a batuta (pequena vareta utilizada pelo maestro) é claro que não pode passar despercebido pelo olhar simbólico do gnóstico, representando o domínio da nossa energia sexual. Principal instrumento que dará energia, ritmo e constância para a nossa sinfonia.


Logo, caro leitor, o cerne da questão que permeia este artigo é a necessidade de sermos regentes da nossa própria sinfonia, inicialmente precisamos recordar como a nossa sinfonia originou-se (De onde eu vim?), depois tornarmo-nos Maestro de nós mesmos (Quem eu sou?), após estes passos já teremos alguns relances de como será o desfecho da sinfonia (Para onde eu vou?).


Um detalhe muito importante nessa dinâmica é o não batalhar, o movimento harmônico simples de um pêndulo comum, sempre o empurrará para o centro, se batalhamos, apenas empurramos o pêndulo para um dos lados e a gravidade o trará de volta com mesma força e intensidade para a outra extremidade, e esse é o tipo de dinâmica que o Estudante Gnóstico tem que aprender a parar, no momento que nos deparamos com o autoconhecimento, que começamos a ter ideia que existe um pêndulo (lei da ação e reação), tentamos ao máximo executar novas ações que parem esse pêndulo, porém ações inconscientes apenas o movimentam mais, continuando a trazer reações indesejadas, recorde que o Maestro sabe transacionar a melodia, acalmando os extremos da sinfonia, recorde também do Grande Mestre Jesus, acalmando a tempestade e andando sobre as águas, Cristo teria o poder de evitar que a tempestade nem ao menos se formasse, mas nós como meros buscadores, assim como Pedro, temos que aprender a andar sobre as águas (parar de pensar).


Compreendido isso, todos aqueles sentimentos ruins (desorientação, frustração, raiva, tristeza, medo...) irão se desvanecendo, o sentimento de completude, perfeição harmônica vão se restaurando e começamos a ver o mundo novamente como uma máquina perfeita, livre de defeitos, assim como o seu Criador, o labirinto que aparentemente estava nos prendendo começa a se tornar um caminho reto, e a Partitura deixada pelos mestres finalmente é compreendida do começo ao fim.


Neste estado alcançamos novamente o centro permanente da consciência, e após termos aprendido a sair do labirinto a ler a partitura, é nosso dever mostrar aos outros em nosso redor como fazer a mesma coisa, fechando assim os três fatores da revolução da Consciência:


1° Morrer: Eliminar os pensamentos, andar sobre a água, sair do batalhar dos opostos.
2° Nascer: Domínio sobre a Batuta, transmutação sexual, instrumentos afinados.
3° Sacrifício pela Humanidade: Ensinar aos demais a leitura da partitura, mostrar a saída do labirinto.

Querido estudante, este artigo é apenas um meio de elucidar uma experiência, e é tão somente um ínfimo resumo do que realmente é a dinâmica da vida, há níveis de compreensão muito mais profundos do que o trazido aqui, níveis onde a própria dinâmica é algo a ser eliminado, pois dinâmica e estática estão na dualidade, e nossa tarefa é estarmos além da dualidade.


Observe a sua vida (sinfonia), analise e experimente as chaves trazidas neste artigo, serão diversas as situações onde o seu ego e o seu nome estarão em jogo de acabar, mas não temas, pois este é o caminho. Aquele que disse:


“Eu sou o caminho a verdade e a vida”

foi humilhado e crucificado, não esperemos menos para a nossa jornada pois este é o caminho estreito, mas recorde, apenas nosso ego sofre, o Ser verdadeiro e real é eterno, não sofre e nem sente dor.


E para finalizar este artigo não poderíamos fechar de outra forma se não o convidar para a prática,

avante estudante!!!Não temas os percalços da vida e o que perderemos ao trilhar o caminho da auto revolução intima do ser, pois o verdadeiro e real também não se perde, se perdemos algo é porque não passava de uma mera ilusão que nos aprisionava nesta antiga visão de mundo caótico e infeliz.


Hélio Mateus Freire Nunes



 
 
 

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